1/Dez/2008

#30: Beats Antique - Collide (discos 2008)

Inaugura-se hoje, dia 1 de Dezembro, uma actualização diária com os 30 melhores discos de 2008. Um disco por dia e em contagem decrescente, como convém. E, um dia destes, os 10 melhores discos nacionais para o Coffee Breakz. É claro que isto das listas só faz sentido nos 10 primeiros lugares, depois é tudo lotaria como nos penaltis: uns entram, outros ficam de fora. É injusto? Pois é. A vida é injusta!

A ilustrar cada um dos lugares, e sempre que isso se aplique, vou colocar também a (minha) opinião publicada sobre o disco. Um pouco ao estilo do cronista Rui Tavares, que se cita com abundância e que, como toda a gente sabe, é uma besta. E depois, há alguma precipitação nisto: então, e em Dezembro, não pode haver um disco capaz de entrar na lista? Pois, estarei atento a isso. Adiante... em número 30:

Beats Antique - Collide

"accentuates the electro-acoustic feel to this band's sound, which blends exotic, Middle Eastern scents and moves with highly-charged electronics"

"all tracks derive from a common musical tree with so many branches that go as far as to touch the scholastic tradition of some jazzy oldies while keeping a curious ear to the North African Gnawa music, a mixture in its own right of afro-Arabic religious rhythms, combining music and acrobatic dancing"

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Paranoid Park e o cinema polaco

Acabei de ver o "Paranoid Park" pela terceira vez este ano. A primeira foi num cinema de arte e ensaio (já ninguém diz isto, é pena!) em Manhattan, estava um frio de neve. A segunda foi já em Lisboa, numa das reposições de Verão do Nimas. A terceira foi há pouco na televisão. Ninguém filma a adolescência nos corredores de liceu como Gus Van Sant. Naquele seu estilo estilhaçado, de narrativa que se mostra aos poucos e nunca respeita a cronologia. Imagens arrastadas a pontuar as emoções daqueles miúdos. Quase tudo se passa num skatepark ou por causa do que se passou perto do skatepark naquela noite. Mas há uma passagem, perto do fim, que me eriça sempre o pêlo da nuca. Quando em fundo toca "Angeles" do Elliott Smith:

someone's always coming around here trailing some new kill
says i seen your picture on a hundred dollar bill
and what's a game of chance to you, to him is one of real skill
so glad to meet you
angeles


Paranoid Park

Gus Van Sant e Elliott Smith são de Portland. Um ainda vive, o outro já não. Estava na faculdade, numa das salas de informática da FCSH, quando li que o Elliott Smith tinha espetado uma faca no peito...

No sábado, fui ao cinema ver "Quatro Noites com Anna" de um tipo polaco chamado Jerzy Skolimowski. Sempre me intrigou o realismo brutal e ostensivamente violento do cinema polaco. Lembrei-me imediatamente de ter passado uma parte da adolescência a ver filmes na TV Polonia, no glorioso tempo da televisão por satélite. Eu só via aquilo porque tinha legendas em inglês.

Este fim-de-semana, por duas vezes, recordei com saudade a minha adolescência. Estou a ficar velho!

30/Nov/2008

De La Soul - Ring Ring Ring (Ha Ha Hey)




De La Soul

Ao primeiro disco, "3 Feet High and Rising", muitos ouviram no som dos De La Soul o futuro do hip-hop. Aquele caldeirão de funk, soul e jazz, servido à colherada por (ainda) miúdos do liceu, era uma demarcação clara da lógica dos cifrões e miúdas de generosas curvas que já faziam a face mais visível do género. Mas, ao segundo, o trio formado por Posdnuos, Trugoy e Pasemaster Mase simulou o enterro dos De La Soul com um álbum que põe na capa a imagem de um vaso de flores partido.

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E esta segunda-feira, dia 1 de Dezembro, todos no Casino Lisboa para ver De La Soul, com DJ set de King Britt! É bom e é grátis...


Kidda - Going Up




Kidda - Going Up

2008
Skint / Popstock

Electrónica assente em castelos de areia, com tempero de funk e rave e alguma azeitice. Não é para todos, não é para muitos.

Kidda gosta de brincar à electrónica e não há nada de mal com isso. Mas isso também não tem nada de especial, pelo que as canções de Going Up são normalmente recebidas com um desinteressado encolher de ombros. O primeiro contacto com a música de Ste McGregor, natural de Brighton, no Reino Unido, foi através de um doze polegadas com três remisturas para “V.I.P.”, além do original, também incluído neste primeiro álbum.

A versão limpa do tema, com voz do MC Psycho Les dos Beatnuts e um coro infantil em fundo, deixou pistas interessantes a explorar. Mas foi sobretudo a remistura de Beathoven, parte do colectivo de hip-hop, funk e turntablism Puma Strut, que mais fascinou por levar os gangsters pela mão até à discoteca da esquina. Nessa edição, Kidda mostrava já algumas das coordenadas da sua música: ambiente de festa rave, muito funk, muita talhada de hip-hop e uma obsessão estranha pela animação de computador.

Chegados a Going Up, é fácil perceber que Kidda tem uma série de equações a resolver e que é dessa natural dificuldade de cálculo que resulta um álbum morno. Por outras palavras, “Under the Sun” só à martelada entra no ouvido do cultor de uma certa forma de fazer electrónica, a de consumo lento e privado. E não será com “Good For You” que ele vai entusiasmar o purista da electrónica fria e impessoal.

Em “Shining 1” entra Gary Lightbody, dos Snow Patrol, e isto até parece um disco de pop choninhas com um amor platónico pelos New Order. Só mesmo “Doo Whot” é capaz de içar a cabeça de avestruz que muitos enfiaram num buraco desde o fim de A Tribe Called Quest (eles regressaram timidamente em 2006, por isso a hibernação já vai mais longa do que era suposto). Aí, o rapper Blak Twang dá uma demão de hip-hop arejado num disco que não encontra morada em parte nenhuma.

Kidda gosta de brincar à electrónica e não há mal nenhum nisso, repetimos. Mas também é verdade que abusa dos efeitos e da voz de balão com hélio que atinge picos de saturação na última faixa, “Smile”. Este é um disco que funciona lindamente dentro de um carro, a caminho da praia, e com as janelas abertas para entrar o Verão. No resto do ano, Kidda quase parece um insulto por se lhe adivinhar um sorriso pateta a todo o instante.

http://www.bodyspace.net/album.php?album_id=1449

29/Nov/2008

Jazzanova - Of All the Things




Jazzanova - Of All the Things

Há uma piada recorrente sobre os círculos mais relaxados da música electrónica, capaz de esvaziar a boa qualidade de muitas produções downtempo. Essa piada diz que os discos de lounge, trip-hop e derivados acabam sempre a servir de música de fundo em suites só frequentadas por magnatas. Para os críticos mais cínicos, a música dos Jazzanova cabe perfeitamente nessa definição. Acontece que o sexteto de Berlim lhes trocou as voltas ao fazer agora um luminoso disco de soul.

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